Unveiling the Environmental Impacts of the Pandemic

ING:

There are several opinions on this matter. Many say that due to its controversial origins and the lockdown period that followed, made us rethink our relation to nature and the environment. While in lockdown, the media were constantly sharing news about the decrease in CO2 and NO2 emissions (responsible for the greenhouse effect), due to lower industrial activity. There were also several stories about wild animals returning to their natural habitats, now that pollution had dissipated.

But, what is the real environmental impact of the COVID-19 Pandemic?

Well, not all news are good and the main problem relates to PPEs (Personal Protection Equipments). In a joint effort to protect populations and avoid widespread contamination, the WHO and other international institutions have recommended the use of masks, gloves, and alcohol-based hand sanitizers.

As a result, we are now witnessing that in most countries who are no longer in lockdown, these PPEs are littering streets and parks. As people continue to incorrectly dispose of these pieces of equipment, they end up in rivers and oceans, and even when they are properly disposed of according to WHO recommendations, they still amount to tons of waste that worsen the existing plastic waste problem. 

The WWF estimates that even if only 1% of all masks end up in the ocean, that is the equivalent of 40 tons of plastic waste. The math is simple: 1% amounts to 10 million masks per month, with each mask weighing 4 grams. And this is without considering gloves and millions of hand sanitizer bottles. 

According to OceansAsia, a Hong-Kong based environmental NGO, 300 million tons of plastic waste are produced globally every year, with over 13 million ending up the oceans. "Due to the current COVID-19 Pandemic, we currently have 7 million people wearing 1 to 2 masks per day which will substantially increase the amount of waste produced" - says Gary Stokes, CEO and founder of the NGO.

Disposable masks usually contain Polypropylene (PP) and other reusable, more expensive masks are made from Polyurethane (PUR) and polyacrylonitrile (PAN), all of which are plastic substances. Plastic has an approximate lifespan of 450 years and never fully decomposes, generating smaller components called microplastics. These, in turn, have a massive negative impact on the environment and natural habitats, often resulting in asphyxiation, entanglement, ingestion and death of local animal species. "It's just another item in the list of marine debris; it's neither better or worse, it's simply another part of the legacy we are leaving for future generations" - continues Stokes.

Another French NGO, Opération Mer Propre, whose activities include collecting waste along the Côte d'Azur, sounded the alarm in late May. Divers found what Joffrey Peltier from the organization describes as "coward waste" - dozens of gloves, masks and hand sanitizer bottles under the waves of the Mediterranean sea, mixed with regular waste such as glasses and aluminum cans. Gary Stokes, from OceansAsia, mentioned the example of the Soko Islands off the coast of Hong Kong, where he found 70 disposable masks in small beach extension of just 100m, and 30 more just a week later.

In an attempt to reduce this impact, Governments and NGOs across the globe are educating populations to opt for reusable masks, leaving disposable ones solely for healthcare professionals, and to wash their hands with water and soap more often, instead of using alcohol-based hand sanitizers. According to WHO guidelines, dirty fabrics and used masks must be thrown in closed bins, while medical equipment must be sterilized and incinerated at high temperatures. However, not all countries have the ability to properly manage the sudden increase of medical waste generated by the COVID-19 outbreak. 

The focus is now on managing the treatment of medical waste across the globe and finding effective solutions. While healthcare institutions and private waste management companies are already improving their services, it's equally important for governments to promptly find solutions for this issue. Meanwhile, it's up to each individual to own their responsibilities on the matter, by following the guidelines on how to dispose of their masks and other equipment.

After all, it seems like a paradox to deal with a global health crisis that results from a history of bad choices and attitudes towards the planet, by following the same irresponsible, inconsequent behavior. We must, once and for all, learn about the consequences of our choices and take extreme responsibility for them. Only by doing so, can we hope to revert the ill legacy we are leaving for the future of our history. 

 

PT:

Desmascarando os efeitos ambientais da Pandemia

As opiniões são divergentes. Muitos dizem que a pandemia, por ter nos trancado em casa e,  por suas próprias razões de origem ( que também são controversas), nos fez refletir sobre nossa relação com meio ambiente. Em isolamento social em nossas casas, víamos dia a dia a mídia noticiar as diminuições nas emissões de CO2 e NO2, os principais gases do efeito estufa, devido à redução da atividade industrial. Vimos também os jornais noticiarem o reaparecimento de animais em seus hábitats naturais, não mais povoados devido aos elevados níveis de poluição.

    Mas qual foi, e qual tem sido o verdadeiro impacto ambiental da pandemia do COVID- 19?

   Nem tudo são boas notícias quanto a repercussão no meio ambiente e o problema está acima de tudo nos equipamentos de proteção ( EPIS). No esforço de  proteger a humanidade da propagação do vírus, órgãos mundiais de saúde recomendaram a larga utilização de  luvas e máscaras e a higienização das mãos através de substâncias desinfectantes como álcool gel.

   O resultado disso? Meses depois, nos países que já se tem alguma permissão de desconfinamento, o que vemos quando saímos nas ruas são esses mesmos EPIS amplamente atirados para as ruas e parques das cidades. Uma vez incorretamente descartados, todo esse material vai inevitavelmente parar nos rios e oceanos. E mesmo quando corretamente descartados (recomendações OMS ), se configuram em toneladas de plástico adicional ao já grave problema da poluição plástica.
  A WWF (World Wide Fund for Nature)  estima que, mesmo que somente 1% de todas as máscaras vá parar nos oceanos, são cerca de 40 toneladas a inundá-los. A conta é simples, 1% equivale a 10 milhões de máscaras por mês dispersas no ambiente, e o peso de cada máscara é de cerca de quatro gramas. Isso sem contar a carga das luvas e as milhares de embalagens de álcool gel.

    De acordo com a ONG ambientalista OceansAsia , com sede em Hong Kong, aproximadamente 300 milhões de toneladas de plástico são produzidas em todo o mundo a cada ano, com mais de 13 milhões entrando em oceanos.  Devido ao atual surto de COVID-19, repentinamente tem uma população de 7 milhões de pessoas usando uma a duas máscaras por dia, a quantidade de lixo gerado será substancial ”, diz  Gary Stokes, diretor e fundador da ONG.
    As máscaras descartáveis simples geralmente contêm polipropileno (PP),  e outras máscaras mais complexas e caras incluem poliuretano (PUR) e / ou poliacrilonitrila (PAN), todas substâncias plásticas. O plástico, como se sabe, tem uma vida útil de aproximadamente 450 anos e nunca se degrada completamente, mas se encolhe em pedaços menores de plástico chamados microplásticos. 

   Os efeitos adversos desses detritos são de grande alcance. Uma vez que estes são descartados no habitat natural de um animal - seja terra ou água - isso pode fazer com que, no mínimo, os animais confundam esse lixo com comida, causando possibilidades de emaranhamento, asfixia, ingestão e morte. "É apenas mais um item de detritos marinhos", diz Strokes, comparando as máscaras a sacos de plástico ou canudos. "Não é melhor, nem pior, apenas outro item que estamos deixando como legado para a próxima geração." 

    A Opération Mer Propre , sem fins lucrativos francesa , cujas atividades incluem a coleta regular de lixo ao longo da Côte d'Azur, começou a soar o alarme no final de Maio. Os mergulhadores descobriram o que Joffrey Peltier, da organização, descreveu como "desperdício covarde" - dezenas de luvas, máscaras e garrafas de desinfetante para as mãos sob as ondas do Mediterrâneo, misturadas com o lixo comum de copos descartáveis ​​e latas de alumínio.
Gary Stokes, da Oceans Asia, citou o exemplo das ilhas hongueconguesas isoladas e desabitadas de Soko, localizadas ao sul do aeroporto internacional. Ele disse que inicialmente encontrou 70 máscaras descartadas em um trecho de praia de 100 metros, e que quando voltou, uma semana depois, havia mais de 30 outras. "

   Na tentativa de  reduzir esse impacto, órgãos governamentais e ONGs no mundo todo estão educando a população  a usar máscaras reutilizáveis, deixando a utilização das descartáveis única e exclusivamente aos profissionais de saúde, e a substituir sempre que possível a utilização do álcool gel por maior número de lavagens das mãos com água e sabão.
  Quanto ao descarte, de acordo a OMS , tecidos sujos e máscaras usadas devem ser jogados apenas em lixeiras com tampa, enquanto qualquer equipamento médico usado pelos pacientes afetados e pela equipe do hospital deve ser esterilizado e queimado a altas temperaturas em incineradores dedicados. Infelizmente, no entanto, nem todas as regiões têm capacidade para lidar adequadamente com o aumento repentino de resíduos clínicos gerados como resultado do surto de COVID-19.  

   Os holofotes agora estão no gerenciamento de tratamento de resíduos sólidos clínicos em todo o mundo e em quão eficazes são suas medidas. Enquanto instituições de saúde e empresas privadas de gerenciamento de resíduos em alguns países já estão intensificando seus serviços, também é igualmente importante que os governos intensifiquem e encontrem soluções rapidamente. Ao mesmo tempo, também é responsabilidade de cada indivíduo seguir as diretrizes necessárias ao descartar suas máscaras e outros equipamentos médicos. 

   Afinal, é paradoxal lidar com um crise de saúde global causada por um histórico de más escolhas e atitudes com o planeta seguindo o mesmo comportamento inconsequente e irresponsável. Temos, de uma vez por todas,  que aprender quais as consequências de nossas escolhas  e tomarmos extrema responsabilidades sobre elas. Só assim teremos alguma esperança de reverter o mal caminho que estamos deixando para o futuro de nossa história.

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